Especialista aponta hiperconectividade e adultização precoce entre os principais desafios da atualidade. A saúde mental de crianças e adolescentes atingiu um nível de atenção sem precedentes. Segundo dados do UNICEF – Fundo das Nações Unidas para a Infância, cerca de um em cada sete jovens entre 10 e 19 anos vive com algum transtorno mental
Especialista aponta hiperconectividade e adultização precoce entre os principais desafios da atualidade.
A saúde mental de crianças e adolescentes atingiu um nível de atenção sem precedentes. Segundo dados do UNICEF – Fundo das Nações Unidas para a Infância, cerca de um em cada sete jovens entre 10 e 19 anos vive com algum transtorno mental no mundo. No Brasil, estudos apontam crescimento significativo de casos de ansiedade, depressão e sofrimento emocional em crianças e jovens.
Nesse cenário, a psicopedagoga Esther Guimarães, especialista em neurodesenvolvimento infantil e fundadora da Escola da Cidade — referência em educação há quase quatro décadas em Uberlândia – explica que o uso excessivo de telas aparece como um dos fatores de risco mais discutidos.
“Pesquisas recentes indicam que a exposição prolongada a dispositivos digitais está associada a alterações no sono, prejuízos na atenção, aumento da irritabilidade e maior vulnerabilidade a quadros de ansiedade e depressão”, diz.
Já a Organização Mundial da Saúde destaca que metade dos transtornos mentais começa antes dos 14 anos, o que reforça a importância de intervenções precoces.
“Estamos diante de uma geração hiperestimulada, mas com prejuízos importantes na atenção, na linguagem e na capacidade de interação. O cérebro da criança precisa de experiências reais para se desenvolver de forma saudável”, alerta a especialista.
Avanço nas legislações e proteção no ambiente digital
Diante disso, o Brasil começa a avançar em medidas concretas. A Lei Federal nº 15.100/2025 passou a orientar a restrição do uso de celulares em ambientes escolares, especialmente para fins não pedagógicos, reconhecendo os prejuízos ao aprendizado e à concentração dos estudantes.
Outro movimento importante e recente foi o lançamento do ECA Digital, conjunto de propostas que atualizam o Estatuto da Criança e do Adolescente para o ambiente online. A iniciativa busca garantir proteção integral também no meio digital, responsabilizando plataformas e ampliando mecanismos de segurança para crianças e adolescentes.
Segundo Esther Guimarães, a legislação chega em um momento necessário, mas não bastam leis e ajustes nas escolas se as famílias não ajudarem dentro de casa.
“Tanto a escola quanto a nossa casa precisa voltar a ser um espaço de presença, de troca e de construção coletiva. O uso indiscriminado de telas compromete exatamente isso: o vínculo, a escuta e a aprendizagem significativa em todos os âmbitos”, enfatiza.
Adultização precoce e riscos nas redes
Além dos impactos no desenvolvimento, a especialista também alerta para um fenômeno crescente: a adultização precoce de crianças e adolescentes nas redes sociais.
“O ambiente digital expõe esse público a conteúdos inadequados para a idade, como violência, sexualização precoce e padrões irreais de comportamento e consumo”, diz.
Estudos indicam que o uso excessivo de telas pode intensificar sentimentos de inadequação, comparação social e baixa autoestima, fatores diretamente ligados ao aumento de transtornos emocionais.
“Nesse contexto, crianças passam a reproduzir comportamentos adultos sem maturidade emocional para lidar com as consequências, tornando-se mais vulneráveis a pressões sociais, cyberbullying e exploração digital”, pontua a especialista que também atende em consultório crianças e jovens como psicopedagoga há mais de 30 anos.
Para Esther, o papel da família e da escola é decisivo. “Não se trata de demonizar a tecnologia, mas de devolver à infância e à juventude o que é essencial: o brincar, o convívio, o tempo offline. Sem isso, comprometemos não só o presente, mas o nosso futuro também”, conclui.

















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